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  • Fábio Ferraz

Cidades inteligentes e economia circular

Atualizado: 27 de Jul de 2020

Da primeira à quarta Revolução Industrial, da energia a vapor à eletrificação e à combustão, do desenvolvimento químico aos sistemas ciberfísicos e às novas tecnologias de informação e comunicação, a lógica dos processos de produção e consumo sempre se baseou no fluxograma extrair-produzir-consumir-descartar.

Depois de 250 anos extraindo recursos, produzindo, consumindo e descartando produtos diretamente na natureza ouconcentrando-os em aterros sanitários, nossa sociedade agora enfrenta um dilema: manter esse modelo de produção e consumo ou mudar para novos modelos de desenvolvimento sustentável. Um desses modelos é a economia circular, uma abordagem alternativa à essa economia de base linear.


Vídeo de Tom Fisk no Pexels.


A economia circular pode ser entendida como um conjunto de ações e atividades adotadas preemptivamente que buscam reduzir a geração de resíduos e/ou retorná-los às cadeias produtivas como novos recursos. Como dizem alguns experts no assunto, a economia circular trata de fechar ciclos nas cadeias de suprimentos e valores.

Nesse sentido, nessa lógica alternativa, anteriormente aos últimos estágios das cadeias produtivas, devemos nos esforçar por redesenhar produtos, mantê-los, prolongar suas vidas úteis e compartilhá-los; reutilizá-los e redistribui-los, recondicioná-los e remanufaturá-los.

Tais ações e atividades nos trazem benefícios econômicos, sociais e ambientais e oportunidades de negócios para empresas e indivíduos. O potencial de inovação, criação de novos negócios, empregos e de desenvolvimento econômico, portanto, passa a ser enorme.

A economia circular é o caminho para tornar as cidades mais inteligentes. Ao mesmo tempo, a cidade é um ponto focal na transição para a economia circular. Trata-se de criar valor para os diversos setores e grupos urbanos seja nos sistemas de habitação, mobilidade, saneamento, energia, de desenvolvimento econômico etc. É uma oportunidade de repensarmos nossos modelos de planejamento e gestão das cidades.

Considerando que 75% dos recursos naturais são consumidos nas cidades, 50% dos resíduos globais são gerados nas cidades, 60-80% das emissões de gases de efeito-estufa são gerados nas cidades, conclui-se que esse modelo - extrair-produzir-consumir-descartar - é o que tem tornado as cidades insustentáveis ambiental, social e economicamente.


Foto de Magda Ehlers no Pexels.


E se nós reduzíssemos a geração de resíduos e a poluição das cidades? Mantivéssemos produtos e materiais em uso nas cidades e também seus valores? E regenerássemos os sistemas naturais dentro e ao redor das cidades? E se todas essas novas atividades econômicas, sociais e ambientais exigissem a criação de uma diversidade de novos empregos?

Muito possivelmente, teríamos cidades mais inteligentes, sustentáveis, prósperas, habitáveis ​​e resilientes. Ao longo das próximas postagens, vamos discutir mais o assunto.


Foto de Gervyn Louis em Unsplash.


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